APASE - Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo

Notícia

01/04/2015

Entre a Recessão Econômica e a Ressaca Política: Perigos à Democracia

Palavra da Presidente - Edição abr./2015 - Jornal APASE

  

Responsável: Rosângela A. Ferini V. Chede - Diretora-Presidente

Os meses iniciais de 2015 são marcados por notícias de ações governamentais pautadas no ajuste fiscal e econômico no plano federal, contingenciamento de gastos na esfera estadual e dificuldades dos municípios em virtude da diminuição de receitas. Um verdadeiro efeito cascata, o qual sentimos diretamente em nossos orçamentos domésticos com o aumento da inflação e respectiva perda do poder de compra de nossos salários e proventos. E mais um agravante, no magistério paulista: a ausência de iniciativas por parte do governo para uma política salarial de recomposição das perdas, com previsão de reajuste zero para este ano.

Se esta situação, por si só, nos apresenta um contexto extremamente difícil para a Campanha Salarial 2015 – Salário digno para o magistério: dever do Estado! - o diálogo e as negociações salariais se tornam esvaziados, sob o pretexto dos índices econômicos apresentados pelo governo.

Entretanto, cabe enfatizar que o descaso com o magistério paulista não é pontual e sim resultado das últimas décadas. Nossas perdas salarias agravam-se ano após ano, chegando a comprometer nossa própria subsistência e de nossos aposentados, principalmente, em razão da opção deliberada do executivo paulista em manter políticas de gratificação e bonificação, alijando estes últimos profissionais que dedicaram sua vida à educação paulista.

Diante da justificativa econômica governamental caberia a indagação:

- por que, mesmo em meio aos períodos áureos de crescimento econômico, o Estado de São Paulo, manteve estagnado os investimentos voltados para uma política consistente de valorização do magistério, por meio de salários dignos?

- é possível chegar ao melhor Ideb do Brasil e o magistério estar entre as dez profissões mais desejadas no estado até 2030 com a atual política de valorização e carreira?

Não obstante a estas inquietações e à recessão econômica, vivemos outra crise no Brasil: a crise política. Acredito ser esta ainda mais grave do que aquela. Esta última deve-se à descrença da população nos representantes políticos.

Descrença esta motivada pelos inúmeros escândalos de corrupção denunciados, quase que diariamente, em nossa mídia. Parece não haver fundo para o poço de corrupção, ou melhor, em tempos de seca, água para matar a sede de tantos dólares e euros em contas no exterior. Nossos salários diante das cifras anunciadas nas operações de investigação policial não se configuram sequer em um grão da operação Castelo de Areia.
Mas corremos um risco neste mar revolto de corrupção: desqualificarmos a Política como espaço legítimo para o exercício da Democracia.

Se enveredarmos por este caminho e reproduzirmos o discurso, também nossas ações, comprometidas com um projeto de emancipação social, correm o risco de tornarem-se esvaziadas e desqualificadas por serem confundidas com este ou aquele - partido, “político”, pessoa, sindicato ... – ignorando que defendemos uma Agenda muito maior, em favor da Educação e de seus Profisssionais. Por isso, o momento é de cautela e de uma profunda análise, radical e criteriosa, a respeito do momento histórico e suas consequências, sob o risco de cairmos em processos autoritários e discriminatórios, bem conhecidos em nossa sociedade.

A Campanha Salarial 2015 – Salário digno para o magistério: dever do Estado! – é responsabilidade de todos nós.

Aproveitemos os espaços institucionalizados para divulgá-la, esclarecer a população e demais profissionais, apresentá-la às autoridades políticas de cada região do Estado, reafirmando o quanto ela é necessária para a Educação como um todo. (Para tanto segue encartado Cartaz, com Boletim Conjunto da Campanha Salarial para divulgação). Façamos a boa Política!

Esperamos que, após este período de ressaca (do mar), possamos vislumbrar um horizonte mais límpido, onde valores éticos e morais pautem a conduta dos diferentes agentes da Política. Que nossas demandas, mais do que justas, sejam atendidas pelos governantes. Que nossas reivindicações façam parte das Políticas Públicas de valorização do magistério paulista e que cada um de nós tenha participado intensamente deste processo!

Rosângela Aparecida Ferini Vargas Chede
Diretora-Presidente

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