APASE - Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo

Notícia

01/09/2016

Gestão Democrática: a serviço de quem?

Palavra da Presidente - Edição set./2016 - Jornal APASE

  

Nossa sociedade, ao longo de sua história, se depara com discussões que conclamam práticas democráticas, de maneira geral, em oposição aos processos autoritários e centralizados emanados do poder governamental.

Neste contexto, a Educação ganha destaque por se constituir num lócus privilegiado de embate de forças ideológicas.

A percepção é a de que quanto mais estamos expostos e sofremos os impactos de processos violentos de gestão do Governo, materializados em práticas autoritárias, responsabilização exacerbada, assédio, cooptação de colegas e subjugo de trabalhadores, entre outros, mais nos falam e falamos em democracia e práticas participativas. É como se tentassem nos convencer que vivemos e trabalhamos em espaços democráticos. Praticamente um mantra...

Apesar destas observações, que a princípio podem indicar o contrário, reafirmo que acredito e defendo a Democracia e as práticas participativas, entretanto, não estas que nos rodeiam. Há que se pensar e repensar o que vem acontecendo e o como, em nossos locais de trabalho, sob premissas críticas.

Perguntaria, a princípio, aos Supervisores e demais profissionais que estão nas Diretorias de Ensino:

- Como se organiza o ambiente e as relações de trabalho nas DE? Que pressupostos marcam esta gestão?
- Há momentos destinados às discussões coletivas na DE, com a garantia de espaços de fala e escuta para todos na análise e proposições acerca do planejamento?
- Como são as relações interpessoais?
- Como o poder da autoridade constituída é exercido entre os diferentes profissionais?
- Você já sofreu ou presenciou situações de assédio no trabalho?
- Você é ou foi consultado a respeito de projetos e programas de governo?
- Há momentos de avaliação e replanejamento a respeito das políticas públicas implementadas?

As respostas a estas questões podem nos indicar em que medida a gestão democrática e participativa acontece (ou não!) de forma efetiva em nossos espaços de trabalho.

E mais, se tomarmos por pressuposto que qualquer processo democrático depende de clareza e transparência em seus fins primeiros deveríamos encontrar, hoje, nossa rede amplamente informada (para não dizer consultada) a respeito do que e como acontecerão as políticas planejadas pela SEE.

Se tomarmos ainda, por premissa, que toda política pública prioritária deve empreender esforços humanos, materiais e financeiros para o seu desenvolvimento e êxito, o mínimo a ser esperado seria a ampla divulgação das bases em que tais políticas ocorreriam.

Citamos aqui o exemplo do Programa de Gestão Democrática que, infelizmente, apesar de sua relevância para o momento, inclusive pela previsão legal constante no PNE, PEE e os princípios Constitucionais e da LDB, não traduz as expectativas, ao contrário, os dados indicam práticas ainda centralizadas e veladas.

Pior, denúncias de assédio moral começam a se intensificar em nossos ambientes de trabalho. Como admitir atitudes autoritárias e práticas de assédio numa gestão que coloca, neste momento, práticas democráticas como foco?
Estas são apenas algumas das contradições que nos deparamos em nosso cotidiano. O Sindicato-Apase está atento e acompanha esses processos para os embates que se fizerem necessários.

Fiquemos alertas!

Queremos e necessitamos de uma gestão democrática efetivamente comprometida com seus princípios e, sobretudo, com seus sujeitos!

Rosângela Ap. Ferini Vargas Chede - Diretora-Presidente

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