APASE - Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo

Notícia

01/02/2017

A arbitrariedade do voluntarismo e a lógica racional da gestão. Algumas contradições!

Palavra da Presidente - Edição fev./2017 - Jornal APASE

  

Normalmente, iniciamos o período letivo com uma avalanche de resoluções, comunicados e demais orientações que induzem a uma percepção de voluntarismo e de proposições realizadas à revelia da realidade de nossa rede.

 

Entretanto, as práticas dos últimos anos, convidam-nos a outras análises e percepções que nos indagam: .as atuais políticas são gestadas por pessoas que desconhecem a rede? Se positivo, essas pessoas não possuem assessorias que conhecem a estrutura da máquina administrativa? .há uma base de dados estatísticos para subsidiar o gerenciamento da rede? .as propostas de início de ano da gestão central apresentam um viés de enxugamento da rede? .estas mesmas propostas somente são alteradas após pressões diversas ou por reconhecimento de ineficácia? .há quanto tempo observamos este tipo de fenômeno no início de cada ano? .propostas de reorganização e reestruturação fazem parte da agenda do Governo? Por que de tempos em tempos elas são veiculadas na rede? .nossas bases foram ouvidas a respeito de políticas de reorganização e/ou reestruturação da carreira e de organização escolar?

 

As simples respostas a estas questões podem sinalizar a desconstrução de uma percepção que, normalmente, reproduzimos em nosso meio, ao início de cada ano letivo, qual seja, a ideia de que as lideranças da secretaria desconhecem a realidade local e apontam medidas ignorando o seu impacto para o atendimento das diferentes demandas em sala de aula.

 

Esta ideia se traduz sob a percepção de um espontaneísmo na edição de medidas que, ao mesmo tempo são vistas por diversos sujeitos, no chão da escola, como um voluntarismo arbitrário, tanto em razão do momento inesperado para tais medidas, quanto pelos reflexos delas na organização da vida funcional e pessoal de cada agente envolvido. O efeito dominó atordoa, mas felizmente, provoca uma mobilização do magistério e suas entidades. Os reflexos dessa mobilização são sentidos nas intervenções políticas na SEE e no número de liminares judiciais que, aparentemente, reforçam a ideia de uma certa “desorganização” nas edições legais.


Há uma aparência de instalação do caos! Mas, não nos enganemos, nem nos deixemos absorver por este suposto caos cotidiano!

 

A prática reiterada deste tipo de ação nos últimos anos, convida-nos a outras análises e, quiçá, à superação da percepção de voluntarismo arbitrário na proposição de políticas para a organização escolar, de pessoal e de carreira na SEE.

 

A frequência destas medidas, num período de grande demanda de trabalho na administração das DE e Escolas, e ao mesmo tempo de férias e recesso docentes, sugerem a presença de um momento oportuno para medidas de contingenciamento, já que, aparentemente, o magistério estaria desmobilizado nesta época.

 

A observação desta prática sistemática, frequente nos últimos anos, aponta para evidências contrárias ao voluntarismo arbitrário. A presença deste, por si só, já seria uma grande contradição para um Governo que enaltece o planejamento estratégico e as assessorias externas para fundamentar o conjunto de políticas implantadas. No entanto, a análise da realidade desvela o oposto.

 

Há uma diretriz muito clara para a gestão da SEE e da rede. Os documentos oficiais que explicitam as diretrizes para a SEE, editados com certa periodicidade, deixam claro o rumo a ser seguido e este vem ao encontro das medidas que enfrentamos nos últimos tempos. São exemplos destas o enxugamento, as parcerias público/privado, a flexibilização das relações de trabalho, a presença de uma carreira horizontal, o constante contingenciamento com políticas salariais de gratificações e de meritocracia, em oposição aos reajustes salariais, o que implica na desvalorização acentuada dos aposentados, entre outros, são algumas constatações.

 

Por estas breves considerações penso que, ao invés de políticas pautadas na arbitrariedade do voluntarismo, ao que assistimos é a implantação de uma lógica racional de gestão que, avança ou se estagna de forma provisória, dependendo do momento, da avaliação das condições mais ou menos favoráveis ao seu recrudescimento.

 

Estar atentos a esta lógica ajuda-nos na apreensão da realidade, na superação da ingenuidade e na mobilização da categoria, que se faz urgente e necessária.

 

E, felizmente, a denúncia e resistência acontecem!

Rosângela Aparecida Ferini Vargas Chede
Diretora-Presidente

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