APASE - Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo

Notícia

01/03/2017

Privilégios ao Servidor Público? Que Servidor é este?

Palavra da Presidente - Edição mar./2017 - Jornal APASE

  

 

Neste último mês, realizamos Sessão de Estudos a respeito da Reforma da Previdência e o impacto desta na vida dos Supervisores de Ensino.

 

Para esta discussão há que se resgatar algumas ideias veiculadas nos últimos tempos, pela mídia e outros organismos, a respeito do servidor público. Vejamos.

 

Normalmente, se referem ao Servidor Público como aquele sujeito que desfruta de regalias imensas, presta um serviço de má qualidade (isso quando não citam piadinhas de mal gosto como a do paletó na cadeira...), possui salários faraônicos, aposenta-se igualmente com altos salários e em situações vantajosas etc.

 

Cada vez que me deparo com uma dessas notícias ou ouço discussões desta natureza me pergunto: de que Servidor Público estão falando?

 

A casta objeto destas “possíveis” regalias é conhecida de todos e, diga-se de passagem, representa percentual mínimo se comparada ao grande número de trabalhadores que compõe o Serviço Público.

 

Agora, falemos de nós! Os meros mortais que não habitam o Olimpo do Serviço Público propagado pela mídia. Atualmente, estamos mais para o mundo de Hades, se pensarmos que estamos indo para o terceiro ano sem nenhum centavo de reajuste salarial, isto no mais rico Estado da União!

 

E mais... O suposto Servidor Público possuidor de privilégios trabalha, no nosso caso, quarenta horas semanais, paga a conta do celular para se comunicar com o chefe e receber ordens de serviço (sem contar suas comunicações com outros agentes para orientação). Além de pagar a conta que deveria ser do empregador, já que o celular passa a ser utilizado, na maioria do tempo, para organização e cumprimento da rotina de trabalho, sua jornada de 40 horas passa no mínimo para 50, 60 ou mais. Outra regalia, nosso deslocamento para as unidades escolares, ao invés de acontecer em veículos último modelo, com motoristas, várias tecnologias e equipamentos de segurança, se concretiza em transportes públicos superlotados ou em veículos próprios, cujo combustível e manutenção correm por nossa conta. Ah! Sem contar os riscos nestes deslocamentos!

 

Bem, continuemos com as regalias...

 

Aposentadoria especial para Diretores, Supervisores e PCNP, há muito perdemos. Talvez outra... Salário integral após aposentadoria. Sinto muito, hoje os salários são reduzidos praticamente em um terço quando nos aposentamos.

 

Quem sabe seja uma regalia a valorização do Servidor Público da Carreira do Magistério, tão reconhecido socialmente em outros tempos. Infelizmente, nas últimas décadas, a carreira vem sendo desmontada com inúmeros problemas envolvendo reenquadramentos, evoluções, ascenção nos cargos, entre outros.

 

Com estes breves exemplos, pergunto: cadê as regalias do Servidor Público?

 

Confesso estar procurando! (o gerúndio é proposital).

 

Caros colegas, a retomada destas situações visa apenas recuperar aquilo que sabemos e vivenciamos muito bem, em nosso cotidiano. Não nos deixemos enganar!

 

Se há problemas na gestão da seguridade social, com certeza, eles não nos pertencem.

 

Mais do que um desabafo, esta fala de março procura reafirmar quem somos e o quanto trabalhamos em prol da educação pública de São Paulo.

 

Os argumentos da atual Reforma da Previdência não podem e não devem colocar de forma indistinta a situação do trabalhador, servidor público do magistério.
Falar que Educação é prioridade neste país, falar em valorização do magistério, hoje, significa fazer justiça nos discursos proclamados e comprometer-se com a verdade dos fatos.

 

Paulatinamente, o serviço público, do ponto de vista das garantias do trabalho, sofreu um desmonte. Aos poucos, conquistas históricas e sonhos de uma vida foram roubados!

 

Muito se fala em estabilidade jurídica, porém que estabilidade jurídica é esta que permite a um professor ingressar numa carreira, evoluir em tempo, em formação, em cargos, programar sua aposentadoria, pensar numa aposentadoria digna e, de repente, assistir, além do assédio promovido contra o servidor público, a dedicação e sonho de uma vida serem usurpados? E pior, sob a justificativa de que somos beneficiados?

 

Não!! Não podemos nos deixar contagiar pela falácia que se propaga contra nós.

 

A reflexão e a denúncia continuam a ser nossas ferramentas de embate.

 

Sou Servidora Pública. Não possuo privilégios. Sou Servidora Pública. Trabalho e tenho de ter a garantia de direitos!

Rosângela Aparecida Ferini Vargas Chede
Diretora-Presidente

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