APASE - Sindicato dos Supervisores de Ensino do Magistério Oficial no Estado de São Paulo

Notícia

01/02/2018

De década perdida em década perdida

Palavra da Presidente Edição fevereiro2018 Jornal APASE

  

São Paulo não avança nos resultados educacionais mantendo um conjunto de políticas equivocadas.

 

No dia 27 de janeiro, o Prof. Luiz Carlos de Freitas, da Unicamp, publicou em seu blog o artigo intitulado SARESP 2017: mais uma década perdida em SP.

 

A análise do autor aponta para “uma ‘planície’ no desempenho paulista”, quando confrontamos a série histórica de resultados. Entre os indicadores apresentados, destaca-se, como recorte, o baixo desempenho escolar referente a “... matemática, no terceiro ano do EF, a diferença entre a média de 2017 e o ano em que a rede já teve sua melhor média (2015), é uma queda de -12,4 pontos. Na quinta série, há um acréscimo de 0,2 pontos. Na sétima, de 0,9. Na nona 1,2 e no Ensino Médio uma queda de -2,5 pontos. (...) Em língua portuguesa, no terceiro ano do Ensino Fundamental, a diferença entre a média de 2017 e o ano em que a rede já teve sua melhor média (2014), é de -13,3. Na quinta série, o melhor desempenho da rede foi em 2016 e há igualmente uma queda de -4,3, em 2017. Na sétima, o melhor desempenho está em 2016 e houve um acréscimo de 2,9 pontos em 2017. Na nona, em relação a 2015, há uma elevação de 4,7 e no ensino médio, em relação ao melhor desempenho ocorrido em 2009, há uma queda de -0,1.” Apesar de pequenos oscilações (ora para baixo, ora para cima), essas não chegam a caracterizar avanços, devido às de políticas de responsabilização praticadas pela gestão governamental, com ênfase nos testes, bônus e mérito.

 

Os resultados da pesquisa coincidem com as observações empíricas da Supervisão e do Sindicato-APASE, acenando para um esgotamento desse modelo de gestão, que conduz a um processo de ensino e de aprendizagem de ínfima qualidade às nossas crianças e jovens, associado à precarização do exercício profissional e ao adoecimento dos diferentes profissionais da carreira do magistério, resultantes das políticas de responsabilização.

 

Torna-se inadmissível, para um Estado que já foi vanguarda e possui, segundo o IBGE, o maior PIB da Federação, apresentar os resultados divulgados no SARESP/2017. Isso sem falar dos salários aviltantes destinados aos profissionais do magistério e da necessária ação judicial para o cumprimento do piso nacional. As mudanças sociais que tanto desejamos perpassam por investimentos na área educacional. Não há como priorizar a Educação sem a devida contrapartida financeira.

 

Quando os governantes vão reconhecer o equívoco na proposição e implementação das atuais políticas e que a essência do processo educacional, a qual se traduz em nossa humanidade, não se “transmite” por um conjunto de manuais, regras e plataformas digitais?

 

Os Supervisores quando apontam suas críticas, o fazem movidos pelo compromisso social com uma educação de qualidade. Mas para isso há que se encontrar do outro lado da interlocução gestores dispostos a ouvir e a redirecionar rumos.

 

A educação paulista prescinde de compromisso com o magistério, com os trabalhadores da escola, com os alunos e suas famílias, que esperam da escola pública, e somente dela, possibilidade de formação integral.

 

A sociedade, e em especial o magistério, espera que os envolvidos no processo decisório das políticas públicas não esperem por mais uma década perdida para rever os rumos da educação paulista.

 

Se as constatações da Supervisão e do Sindicato-APASE, na empiria do cotidiano, não são suficientes, os indicadores e dados, resultantes do trabalho de pesquisadores, não podem mais ser ignorados.

 

A responsabilização, hoje, não mais recai sobre nós, educadores, mas sobre os mandatários destas políticas que não atendem aos princípios da eficiência e da eficácia da administração pública.

 

O Sindicato-APASE reitera o compromisso com uma educação de qualidade social, que respeite e valorize a carreira dos profissionais do magistério e, sobretudo, com uma educação pela qual as relações se pautem na dialogia e na formação humanística dotada de seu poder transformador!

Rosângela Ap. Ferini V. Chede
Diretora-Presidente

 

O título deste artigo foi publicado no “Avaliação Educacional – Blog do Freitas”.

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